domingo, 14 de setembro de 2014

E

Gotas de cima, de baixo, de lado, de outro

rebentando

Gotas
cada uma
e seus respingos
no chão
folhas

proliferação       comunicação subterrânea

Folhas
cada uma
e seus respingos
no chão
almas

renascendo

Almas de cima, de baixo, de lado, de outro


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Elucubrações de um não-tão-bêbado

Porque eu não estava ali. Eu estava em outro lugar. Sentado naquele banco, rodeado daquelas pessoas, mas não era lá o lugar em que eu me encontrava. Porque eu sempre estou em outro lugar. E é mesmo até fora de mim. Buscando alguma fuga em embriaguez qualquer, mas a fuga já está em mim. Ando pelas calçadas em ambiente onírico. Minhas memórias se confundem com os sonhos, e na verdade ficam elas por elas, as coisas vividas e sonhadas, todas se misturam, e de vez em quando eu me perco de qual é qual. Eu sonho com ela, até hoje. Ela mesmo nem deve sonhar comigo, nem sei se lembra de mim. Eu lembro dela, todos os dias. Porque foi com ela que eu aprendi a sair de mim, e, paradoxalmente, a ser mais quem sou. Porque foi ela quem me mostrou que eu era alguém, talvez tenha sido a primeira pessoa a me dar amor, de uma forma que nunca sonhei ter. Mas ela já passou, está marcada, nunca saiu, talvez nunca saia de mim, mas passou. Sonhei com outras no caminho, vivi coisas com essas algumas vezes também. Mas, no fim, o que restou fui eu. E eu não estava ali. Eu estava em outro lugar. Porque parece que no fim sou sempre eu. É o que resta. Mas eu já fugi de mim, fui andar e me deixei de canto, fiquei do outro lado da rua me olhando, acenei uma despedida. Tanta coisa interessante acontece, mas o que sobra? Todo mundo sempre parece ter alguém. E pra mim? Em outros tempos, não havia nada que se oferecesse a mim, passou a ter, e eu sempre dou um jeito de driblar, de esquecer. Por fim, esqueço de mim. E tudo se forma em fragmentos, tudo se torna pequenos pedaços de desgosto ou alegria, mínimas sensações de deleite ou de feia forma bizarra, rosto macabro sorrindo tristeza em um espelho. Como andar em uma rua, e visualizar o próximo ponto a se parar, naquela esquina, de onde vem um cheiro bom. E quando se chega lá, o aroma já se foi, você já se foi, as luzes dos postes do caminho percorrido se apagaram, e as da frente nunca se acenderam. O Absurdo. A falta total de sentido das coisas, e, pior, a necessidade incessante da busca desse sentido. Mas não há. E o que resta são desejos falhos, planos fugazes que dão e passam, passos errantes, esquecimento, visualização de potencialidades desperdiçadas. E pra onde se vai? Parecendo ver todas as pessoas fazendo sentido, trilhando caminhos, e você sem uma lanterna, sem qualquer bússola. Somos da mesma espécie, certo? Então como posso andar ao lado dos meus irmãos e irmãs sem que ninguém compreenda o mínimo que passa em minha cabeça. E mesmo quando há empatia, não há solução. Sentar num sofá, e tanger as cordas de um violão, e entrar em transe. Tudo aquilo, todo aquele nonsense existencial vai continuar, está no passado e está no futuro. No entanto há aquele momento de entrega, de suspensão do tempo e do espaço, onde somente o som, mesmo que seja de poucas notas, um acorde, um ritmo simples, parece hipnotizar e te levar para fora daquele lugar, o qual você não faz a mínima ideia de onde é. Uma garrafa de vinho parece uma solução momentânea. Mas, no dia seguinte, tudo vai voltar. Todo o desespero e a cegueira, toda a solidão. E não serão mil garrafas que poderão calar todas essas coisas. Porque nunca é o bastante, nada nunca é o bastante. E o que dói é justamente ter que procurar o bastante, e não se dar por satisfeito com o que já está dado, para que o que já é seja o que basta. E também nunca saber o que é! Talvez se eu tivesse alguém ao meu lado, talvez se eu tivesse algum caminho claro traçado em minha vida. E essa obrigação de saber o que se quer, em meio a tanto absurdo. Eu não pensaria, se pudesse, eu me calaria, aceitaria tudo que me foi imposto de fora, me negaria, porque seria mais fácil. Sim, menos verdadeiro, menos vida, porém mais fácil. Talvez eu só precise de uma boa noite de sono. Talvez eu não devesse esperar um elixir, uma panaceia, talvez eu não devesse me sentir como alguém que, ao contrário dos satisfeitos, estivesse mais preparado para quando o apocalipse rompesse. E toda aquela sensação de desespero de uma súbita dor de barriga na madrugada, que te faz acordar suando frio e pensar que seu dia seguinte está acabado, que será todo dor, talvez isso não precise se repetir sem que realmente haja um desconforto intestinal. A sensação de um destino marcado, de uma existência crucificada, um fatalismo sem fundamento algum, meros queixumes e devaneios de fantasmas do passado que seriam facilmente tratados por especialistas, pagos em algumas vezes sem juros. Não! É preciso se desapegar profundamente do ego para aceitar que essas coisas todas estão, não são. Porque estar é tão mais raso, tão menos verdadeiro do que ser. Então isso pode me causar algum conforto, pensar que tudo isso é momentâneo, que eu não deveria me apegar a nenhuma dessas dores, que minhas células mudarão, e eu serei outro em uma questão de horas, dias, anos. Mas o presente é quem sufoca, pois é ele quem está aqui, e não conheço o futuro tão bem assim, o passado é um amigo distante do qual guardo alguns rancores e prefiro que a máxima relação que eu tenha com ele é mandar uma carta, flores ou vinho uma vez por ano. Se eu pudesse me prender no momento de um sorriso... Mas não posso. Tenho que olhar para as coisas como elas são. E não faço ideia de como elas são. E mergulho nesse paradoxo, e ele é tudo o que tenho, é o que foi, o que me resta, e talvez até o que será. Digo talvez porque o futuro é sempre uma possibilidade. Por mais sombrias que sejam as nuvens que encobrem minha visão das estrelas do que virá, não posso afirmar que o que virá é algo de muito ruim. Porque as coisas mudam. Mudaram muito, continuam a mudar. Mesmo com essa pesada presença da melancolia, reinando sobre uma rebelde e mal organizada esperança que brota, provavelmente de uma necessidade muito básica de continuar, o próprio instinto de manter-se vivo. Estou confuso, a escrever bobagens, mas creio que há algum sentido nisso. E penso em alguém lendo o que escrevi, e me julgando tolo, imaturo. Que seja. Porque me cansei de ter que explicar que essa coisa toda vem de um processo muito complexo, que nada disso é leviano, mera tristeza reminiscente de adolescências. Não, isso tudo é algo muito real, pulsante e, sim, de alguma maneira, é uma sabedoria. Porque a dor é, sim, uma grande escola. Porque é da confusão, dessa aparente desordem desses sentimentos, sensações, lembranças cruzadas, daí extrairei alguma raiz quadrada, aí encontrarei qualquer sentido. E se não encontrar, ganharei algum tipo de força, algo que me manterá vivo, pois é a energia vital quem segue, quem pede ajuda para continuar na caminhada, quem procura uma luz para se misturar com o mundo e seguir a sequência das vidas.      

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Diálogo 26 de agosto de 2014

-... que tem a ver com esse lance sobre uma nova dimensão política que essa coisa toda do ocultismo e tal assume, nessa época né, que as pessoas têm acesso a isso sem precisar, assim, da figura de um mestre, ou um centro, essas coisas...
- sim, sim...
- ...
- Cara, ultimamente eu tenho cada vez mais sentido raiva das pessoas, de determinados comportamentos que elas assumem, em determinadas situações e tal.
- Sei qual é...
- Tipo, e eu acabo não sabendo como lidar com isso saca? Como poder romper, ou conviver com certas coisas, não sei bem...
- É, acho que a maioria das pessoas...
- ... acabo indo pra casa frustrado com várias paradas que acontecem sabe? E eu poderia apontar: "Fulano, você tá fazendo isso e isso, e..."
- Cara, acho que a coisa passa muito pelo fato de que a maioria das pessoas não está preparada para ouvir certas críticas, pra...
- Sei como é...
- ... tipo, tem esse lance da persona e tal...
- Como assim?
- Velho, a persona é algo que as pessoas assumem no cotidiano, nos lugares sociais, em determinadas situações... tipo uma máscara... por exemplo, você é um professor de ensino fundamental, e aí acontece que você, sei lá, gosta de sadomasoquismo, tem tendências suicidas ou qualquer porra dessas... e simplesmente não rola de você colocar isso - que no fundo é o que você de fato é, o seu interior mais "verdadeiro", digamos - nesse ambiente... aí você assume uma postura, uma máscara, um personagem adaptado àquela situação ... e, assim, meio que as pessoas fazem isso, ou melhor, são assim, a todo o tempo e em todo lugar...
- Saquei. É como se fossemos todos meio que atores, agindo de acordo com as regras - mesmo que não escritas - o código de comportamento de um determinado lugar.
- Exato, e você nem precisa pensar só em local de trabalho essas coisas... em seu círculo de amizades, porra, família, qualquer lugar... E aí que tá: quando você, digamos, começa a apontar de maneira muito sincera o que você pensa sobre outra pessoa, que é o que você realmente acha que está no mais íntimo, nas mais puras intenções dela, e que acaba expondo seu íntimo também, você quebra essas máscaras, e pô, isso é muito complicado...
- Então de repente o ideal é que as pessoas em geral passem por um processo de certa reconstrução cultural, no sentido de que a sociedade passe a permitir, sei lá, que uma nova cultura permita o comportamento cada vez mais autêntico das pessoas.
- Cara, mas ... como assim? Não, então... Isso é complicado também. Porque...
- ... e tipo, por exemplo, no caso o professor ir se inserindo cada vez mais com sua subjetividade, digamos, no que ele fala pros alunos e tal...
- ... entendo o que você tá querendo dizer, mas não sei se é bem esse o ponto. Na real, acho que esse rompimento é complicado porque, se for pensar, o ambiente social meio que depende disso, dessas máscaras, pra evitar conflitos. É preciso que a pessoa se anule de alguma forma pra poder se inserir num ambiente social. Sei lá, imagina que tem lá um cara que é, pô, assassino, e aí ele frequenta almoços de família aos domingos, e cara, é necessário que ele mantenha o anonimato de quem ele realmente é, porque senão aquele ambiente não vai se sustentar. Além disso, tem todo um equilíbrio energético psíquico também, que seria afetado, vamos supor, expondo as contradições das pessoas e tal... A pessoa passa uma parte muito grande da vida "investindo" naquela persona, naquela máscara, e a mente dela, na distribuição de energia pra funções psíquicas, tem um equilíbrio que depende de que essa quantidade de energia "x" continue sendo aplicada àquela função mental ...ou seja, nego ia surtar, ia dar merda na porra toda... hahaha
- Heheheh... mas, pô... então o que você tá dizendo é que todo mundo então deve se recolher à sua insignificância, tipo, deixar de ser quem realmente se é pra poder manter uma cultura cuja própria base de sustentação é a negação da individualidade?
- Não, é... não é bem uma cultura, são várias escalas... bom, na verdade não seria bem esse o ponto, mas é... você tá dizendo... talvez no fundo então sejamos todos, no nosso íntimo, pessoas totalmente inadaptadas a conviver com outras pessoas... e que se a gente fosse a gente mesmo, ia ser, porra, barbárie total... hahahah, aí é foda...
- Heheh, pois é... vixe, olha quem tá ali.
- Po... então, é uma das pessoas...
- É, é uma delas...
- Haha, falamos e não chegamos em nada.
- Ah, não é bem assim... bom...
- Velho, tô chegando nessa
- Vai partir?
- Oh yeah
- Demorou. Valeu cara, amanhã a gente troca uma ideia.
- Inté!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Liberdade e coragem de sermos nós mesmos

"Visto que não se é capaz de evitar má companhia, não se deve iludir; deve-se ver a insinceridade por trás da máscara da amizade, a destrutividade por trás da máscara das eternas lamentações sobre sua infelicidade, o narcisismo por trás de seu charme. As pessoas também não devem agir como se tivessem sido levadas por sua aparência ilusória a fim de evitar serem forçadas a uma certa desonestidade consigo mesmas. Elas não precisam falar sobre o que vêem, mas também não têm que tentar convencer os outros de que são cegas.
Se outras pessoas não entendem nosso comportamento, e daí? Sua solicitação de que devemos fazer só o que elas acham é uma tentativa de nos dar ordens. Se isso é ser "associal" ou "irracional" aos olhos delas, que seja. Elas se ressentem principalmente da nossa liberdade e de nossa coragem de sermos nós mesmos. Nós não devemos explicação ou justificativa a pessoa alguma, contanto que nossos atos não a prejudiquem ou a violem. Quantas vidas não foram arruinadas por essa necessidade de "explicação", que habitualmente sugere que a explicação é "entendida", por exemplo, sancionada. Deixe que seus atos sejam julgados, e deles, saltem as reais intenções, mas saiba que uma pessoa livre deve explicação só a si mesma, à sua razão e consciência e, para os poucos que possam ter alegações justificadas de tal explicação."

Erich Fromm, em "Do Ter ao Ser"

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ao redor

Dou de cara no muro
Uma, duas, três vezes
E o furo da memória, que vaza

É só a chuva lá fora
Antes fosse, antes seja
E quase nada mais

Voltei de viagem ainda agora
Já estive nesse lugar
E as horas que o ponteiro arrasta
Puxam os pés para a estrada
Que aguarda, de mãos atadas
O destino que não se cumpriu

Passos, e refaço o caminho
Tiro espinhos da sola
E quando vejo estou ainda
No agora, no agora, no agora...

Porém, silente, a chama me convém
E, além disso, já estou
Já não é mais aurora
Da noite quero um beijo
Que é senhora vagando
E, como eu, a rasgar
Folha após folha
As saudades desenhadas

Faço por desdenhar do que me agrada
Me distancio, corro e pulo
Na vontade que aguarda meu corpo
E acolhe, gelada, no verão
Estacionando os anseios
Em vagas impressões de um futuro

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Dos solitários

Os solitários não são, necessariamente, infelizes. Muitas vezes, inclusive, ocorre justamente o contrário. Têm um vasto mundo à sua disposição. Se inundam com riquezas de suas próprias hortas, e com as colheitas feitas por outras almas, disponíveis em forma de livros, discos, pinturas, ideias. Têm, frequentemente, alguma habilidade como o domínio de um instrumento musical, ou de técnicas artísticas das mais variadas, para que possam, mais do que passar o tempo, dar vazão a pensamentos e sentimentos, entrar em estado meditativo, disciplinar corpo e mente. Não deixam, claro, de se relacionar com pessoas, mas somente na medida em que o universo delas não entre em conflito com o seu a ponto de arriscar anulá-lo. Gostam bastante, inclusive, de conversar, mas preferem papos a dois, onde podem explorar o universo de seu interlocutor, com a clareza e a sinceridade dificilmente obtidas em um encontro social a três ou mais. Podem apreciar, em maior ou menor grau, o contato contemplativo com a natureza - praias, florestas, mirantes - onde sentem alívio, êxtase, e maior abertura mental/espiritual para expandir a capacidade de ver as coisas como elas são. Suas ideias e criações inundam o mundo, pegam e arrebatam os espíritos mais sensíveis, alteram percepções, abrem janelas. Portanto, caso veja uma pessoa sozinha em um parque, possivelmente com um caderno ou livro em mãos, com o olhar perdido, aparentemente apático e desocupado, não se engane: pense que esse indivíduo pode ser um desses seres, a desconstruir e reinventar todo um universo.  

domingo, 6 de julho de 2014

Noite em vermelho

Creio que eu me perderia. Aliás, já me perdi. Então... adeus! Espere, voltei. Recomeçar... do começo.. 1, 2 e 3 também... Aonde estou agora? Para que lugares minha mente escapou? Sei que vi uma linda luz vermelha moldando suavemente o ambiente, jogando seus brilhos através da linda luminária de vidro, para cima, para baixo, e para dentro. Sei que cavalguei meus dedos sobre as cordas, sentindo o honesto som do pinho, ressoando, ecoando em minha mente, e um segundo nome para a Liberdade, eu inventei, eu vislumbrei, mesmo que por alguns instantes, ali. Remédio para a alma. Eu pedi Força, pedi Clareza, pedi Sabedoria para distinguir os meus caminhos, pedi Iluminação aos meus irmãos e irmãs. Pedi paz, pedi amor, pedi discernimento, pedi mais. Mas também agradeci, pois é importante agradecer. Piso firme em meu chão, com minha mente devidamente alojada no infinito do espaço, e é por isso que agradeço. Agradeço ao alimento que posso comer, a casa em que posso descansar, procurar abrigo, me banhar, me aninhar. Abençoei - e com que força - as iluminadas pessoas que encontraram com os deuses, dançaram ao redor das galáxias, voltaram e traduziram em MÚSICA aquilo que por lá sentiram, viram, viveram. Repousei minha cabeça sobre um macio e confortável travesseiro feito de nuvens, das mais tenras, do algodão mais nobre, coberto pelo tecido mais elaborado, feito com todo o esmero, com todo o cuidado, com toda sabedoria. Assisti atônito à beleza do dançar de minhas mãos, devidamente iluminadas pela rúbea clareza que emanava do lustre. Quanta harmonia, quanta sabedoria, havia ali! No entrelaçar e desentrelaçar de meus dedos, em sua dança, vi todo o universo. As junções e as separações, os vazios e os cheios, tudo, ali, apenas vendo minhas mãos dançarem. Quantas ideias tive, quanta vontade de fazer coisas, de conhecer, de explorar, de respirar os diversos aromas que esse vasto mundo oferece tão generosamente. Não esqueci, claro, da dor. Sim, ela está aí, e tem seu lugar. E procurei - e pedi - sabedoria, justamente para não ignorá-la, mas para saber que ela tem seu lugar, e não deixar que ela invada outros lugares, que não tem nada que ver com ela, aonde ela viraria apenas uma parasita, se alimentando em mesa que não deve. Pensei em todas as pessoas que amo, e o quanto eu tenho que melhorar meu amor, torná-lo mais sábio, saber quando ir e quando voltar, quando falar e quando silenciar. Poderia dizer muito mais, mas acho melhor ter um pouco desse agridoce sabor de deixar o dito pelo não-dito, essa luz escapando da fresta, que dá vontade de olhar pra ver o que tem dentro, mas é gostoso demais saborear o mistério. Sim, o Mistério. Não se engane, ele está lá. Naquele devaneio entre uma colherada e outra, naquele sonho do qual você não se lembra muito bem ao acordar, naquela súbita sensação de ter decifrado um intrincado código do universo durante uma caminhada pela cidade. E, para deixar assim, com sabor de quero-mais, me despeço, sempre com uma canção no coração. PAZ.